
O que é o Recycled Wear?
O mercado da moda, que é uma das indústrias mais poluentes do planeta, tem buscado novas formas de tratar seus resíduos. O fast-fashion, tendência que produz roupas baratas em ritmo acelerado, tem um alto custo para o planeta. Os fabricantes de lojas que adotam esse modelo de consumo, utilizam químicos tóxicos no tingimento de tecidos, sendo esse o segundo maior poluente de água limpa do mundo, perdendo apenas para a agricultura.
A Ellen MacArthur Foundation, com o apoio da estilista Stella McCartney, fez um relatório chamado “A new textiles economy: Redesigning fashion’s future”, em que nos é apresentado o dado de que, a cada segundo, o equivalente a um caminhão de lixo cheio de sobras de tecido é queimado ou descartado em aterros sanitários. Assim, todos os anos, bilhões de dólares são jogados fora com roupas pouco usadas e que quase nunca são recicladas ou reaproveitadas.
A indústria da moda também produz toneladas de gases do efeito estufa por ano, como o carbono, cuja indústria é responsável por ¼ da emissão em todo o planeta. Além de tudo isso, como mostra o documentário “The True Cost”, o crescimento do algodão, utilizado na fabricação de roupas, precisa de altos níveis de água e pesticidas para que não haja falhas no desenvolvimento de suas plantações, colocando em risco até mesmo a saúde dos agricultores.
É assim que surge a ideia do Recycled Wear, que pode ser dividido em: Upcycling, Downcycling e Recycling. Segundo pesquisas da ação Fashion Revolution, 95% das roupas podem ser trabalhadas com todos esses processos de recuperação.
O Recycling consiste no processo que permite que o resíduo recuperado se transforme novamente em matéria-prima, que pode ser utilizada na produção do mesmo produto que o gerou.
Já o Downcycling, é o processo de recuperação que transforma o resíduo em matéria-prima de menor valor. Essa matéria-prima não pode ser utilizada na produção do produto do qual foi gerado, mas sim em produtos secundários.
E por fim, o Upcycling, que talvez seja o mais interessante na indústria da moda, é o processo que transforma o resíduo em matéria-prima com melhor qualidade e valor agregado. Esse processo propõe uma mudança no design e uma revolução nos processos de fabricação, reforçando o conceito de sustentabilidade.
E é aí que atua o setor da customização, que transforma produtos danificados ou que já não tinham mais utilidade, em produtos novos e criativos, atraindo pessoas que se preocupam com meio ambiente e que querem dar uma cara nova para produtos que já não tem mais serventia.
A artista Bruna Godoy (@brugodoy.loja), por exemplo, faz um trabalho muito legal com peças que encontra em brechós e vende em seu site peças únicas, pintadas e bordadas a mão.
É isso também que as ex-alunas do Curso de Moda do Centro Universitário Moura Lacerda decidiram fazer: dar uma cara nova às peças de roupas! E o resultado você também pode conferir no Instagram da marca: http://instagram.com/byoucustom/
Como você, consumidor, pode ajudar nesse impacto ambiental causado pela indústria da Moda?
Primeiramente, envolvendo-se nesse debate e conhecendo mais sobre o assunto e sobre as marcas nas quais você costuma comprar e se elas se preocupam com o meio ambiente. Uma ótima ideia é começar comprando peças de roupas em brechós ou de produtores locais, doando suas roupas, customizando-as, trocando com amigas ou até mesmo transformando-as em novos produtos. É muito válido também cobrar um posicionamento das marcas e transparência a respeito do processo de suas peças, como publicar uma foto nas redes sociais com a hashtag #WhoMadeMyClothes e mencionar a marca.
É com pequenos passos que transformamos o mundo!
Roberta F. Rodrigues


